Passado que incomoda: Ha-young tem bisavô ligado ao colaboracionismo com o Japão, gerando forte contraste com celebridades descendentes de heróis da independência

Uma polêmica recente envolvendo a história familiar de uma atriz no mundo do entretenimento coreano levantou um debate fascinante. Quando foi descoberto que o bisavô da atriz Ha-young teve registros de colaboração com o regime colonial japonês durante o período de dominação, a sociedade coreana voltou a discutir o peso e a importância do legado histórico. O caso ganhou ainda mais repercussão por contrastar diretamente com outras celebridades que descendem de heróis da independência. 🎬
Tudo começou no início de agosto. Durante sua participação em um programa de TV, Ha-young falou com orgulho sobre sua árvore genealógica, afirmando que seu bisavô “abriu o primeiro hospital de estilo ocidental em Hanyang após estudar no Japão”. Ela ainda destacou que ele era um médico que chegou a atender o imperador Gojong e enfatizou que sua família mantém uma tradição de “quatro gerações de médicos”. Para os espectadores, a fala pintou a imagem de uma figura de grande relevância na história médica coreana. ✨
No entanto, logo após a exibição, internautas apontaram que o nome do bisavô da atriz, Ahn Sang-ho, constava na lista de membros do Daejeong Chinmokhoe de 1916, uma organização pró-japonesa. Esse grupo era composto por elites joseonitas, e o fato de Lee Wan-yong — um dos cinco traidores de Eulsa — ter atuado como consultor deixa bem claro o alinhamento da instituição. 👀

De início, a agência de Ha-young adotou uma postura firme de negação. Eles emitiram uma nota oficial afirmando: “É verdade que o bisavô se chama Ahn Sang-ho, mas as acusações de colaboração pró-japonesa são falsas”. Contudo, essa defesa não durou nem um dia inteiro. Diante de novas evidências históricas e da forte pressão pública, a agência voltou atrás completamente e emitiu um pedido de desculpas, admitindo que o nome de Ahn Sang-ho estava de fato na lista daquele grupo pró-japonesa. 💔
“Pedimos sinceras desculpas por causar confusão ao responder precipitadamente e sem a verificação adequada de que a acusação era infundada”, declarou a agência, demonstrando a gravidade da situação. O episódio transcendeu o âmbito pessoal da celebridade, expondo o quão sensível e intocável o tema histórico continua sendo na sociedade coreana.
O que torna o caso ainda mais marcante é o timing da polêmica. A controvérsia explodiu bem perto do Dia da Libertação Nacional (Gwangbokjeol), o que resultou no cancelamento das entrevistas da atriz para a série da Netflix
‘Love Next Door’ (ou projetos associados) que estavam programadas justamente para a data comemorativa. Para os coreanos, ter uma polêmica de laços coloniais japoneses a poucos dias de um feriado tão patriótico gerou uma onda de indignação inevitável. 🇰🇷

O outro lado: Histórias de famílias descendentes de ativistas da independência
O caso de Ha-young chamou tanta atenção justamente porque contrasta de forma gritante com a trajetória de outros famosos cujos antepassados lutaram pela pátria. Várias estrelas do k-pop e doramas carregam com orgulho o legado de seus ancestrais lutadores da liberdade.
A cantora Chungha, por exemplo, tem como avô materno o ativista Kim Yong-geun. Ele se recusou a participar de rituais xintoístas impostos pelo Japão colonial, foi preso por suas atividades anti-japonesas e ainda lutou na Guerra da Coreia. Durante uma pausa na carreira, Chungha obteve a certificação de nível 1 no Exame de Habilidade em História Coreana e revelou que o avô foi sua maior inspiração, incentivada por sua mãe a nunca esquecer as raízes históricas. É um exemplo de como a consciência histórica é passada de geração em geração. ✊

O idol Izen (do grupo Modisay) possui uma linhagem ainda mais direta: seu tetravô era Ahn Myung-geun, primo do renomado herói nacional Ahn Jung-geun, ambos conhecidos por liderar a resistência armada. Izen já declarou na TV o peso e a responsabilidade de carregar esse nome.
O ator Kim Ji-seok é neto de Kim Sung-il, um combatente que atuou na região da Manchúria repassando informações e arrecadando fundos para o Exército da Independência. Já a atriz Han Soo-yeon revelou que seu bisavô materno, o líder das milícias civis Kim Soon-oh, sofreu ferimentos graves por armas de fogo durante os protestos e acabou ficando cego pela falta de tratamento médico adequado. Tais relatos provam que a resistência não era apenas uma página em um livro didático, mas sim um sacrifício físico real. 🕊️
A sociedade coreana e a consciência histórica

A enorme repercussão do caso de Ha-young reflete a seriedade com que a Coreia do Sul enxerga sua própria história. O período de dominação colonial japonesa continua sendo a era mais dolorosa da história moderna do país, e o julgamento sobre aqueles que traíram a nação na época permanece implacável.
Fazer parte de organizações colaboracionistas como o Daejeong Chinmokhoe não era visto como um simples evento social inofensivo, mas sim como um ato simbólico de cooperação com o imperialismo que enfraqueceu a resistência do povo coreano. Por isso, quando tais registros vêm à tona, a reação popular é cortante. 📚
Curiosamente, a tentativa inicial da agência de abafar o caso chamando-o de “infundado” gerou outro problema grave. Isso mostrou que eles emitiram uma nota oficial sem realizar uma pesquisa histórica básica, subestimando o quanto a história familiar de uma figura pública importa na Coreia, onde a biografia e a ética dos artistas estão profundamente ligadas às suas carreiras. 🤔

O incidente também escancara a velocidade da era digital. A verificação da veracidade dos fatos por parte dos internautas ocorreu em tempo recorde, provando que figuras públicas precisam redobrar o cuidado com o que dizem — e com quem foram seus antepassados.
Educação histórica e diversidade de narrativas
Por fim, o caso levanta uma reflexão sociológica curiosa: enquanto descendentes de ativistas exibem suas origens com orgulho, herdeiros de figuras pró-japonesas tentam omitir ou negar o passado. Isso evidencia o quanto o peso do passado molda o presente no país. ⏳
A internet garantiu que registros antigos não fiquem escondidos para sempre e que o público participe ativamente dessa checagem de fatos. Na cultura coreana atual, a história prevalece sobre a fama, e a responsabilidade de um artista se estende muito além do palco ou das telas. 🏛️
Fonte: https://www.bntnews.co.kr/article/view/bnt202608130078
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